O MacGuffin

Domingo, Janeiro 03, 2010

Estado

José Manuel Fernandes, in Público 03/01/2010

Salvar o país deste Estado, e o Estado deste governo

"Ontem de manhã fui ao Portal do Governo, abri um por um os perfis profissionais de todos os membros do Governo, e confirmei uma suspeita: nenhum deles trabalhou a maior parte da vida no sector privado. A maioria nunca o fez. Alguns, poucos, exerceram vagamente a advocacia, mas há muito que não têm "escritório". Duas ministras terão ganho mais em direitos de autor do que com os proventos dos lugares que mantêm na administração pública. E até a "sindicalista" nunca trabalhou numa empresa, começou logo como funcionária da UGT. Considerando o conjunto dos ministros, o número total de anos passados no Parlamento ou em gabinetes ministeriais não deve ser muito diferente do acumulado a dar aulas em universidades públicas.

Perguntar-se-á: mas porquê a minha suspeita? E será que podemos tirar alguma ilação desta constatação? Na verdade não há mal intrínseco em se ter feito toda a carreira no sector público. Nem de tal se pode tirar qualquer ilação, sobretudo se pensarmos nos que dão aulas nas universidades. Contudo...

Contudo estamos perante um sinal dos tempos: o melhor (?) que o país foi capaz de produzir para depois lhe entregar a responsabilidade de o governar foi um grupo de quadros que nunca correu os riscos associados à actividade privada e sempre cresceu no ambiente protegido - mesmo que nem sempre glorioso - da administração pública. Sucede com este Governo, como poderia suceder com um governo liderado pelo PSD, talvez com pequenas nuances, e não deve surpreender ninguém: o sonho da maioria dos portugueses é, há décadas, há séculos, acolher-se no regaço protector do Estado. De preferência como seu servidor, se necessário como seu subsidiado.

Acontece que isto tem causas e consequências. As raízes desta maneira de ser mergulham na nossa muito particular história como povo e uma delas resulta bem evidente quando lemos a nova História de Portugal, coordenada por Rui Ramos. No texto que escreveu para a apresentação da obra, António Barreto não deixou de a destacar: "A omnipresença de um Estado que desempenhou todos os papéis, o de inovador e o de conservador, o de revolucionário e o de reaccionário, o de motor e o de obstáculo ao desenvolvimento, o de abertura e o de fecho ao mundo exterior, o de déspota e o de liberal. Parece que quase tudo começou e acabou no Estado. Conquista e reconquista, expansão e retracção, instrução e obscurantismo foram obra de um Estado que pouco espaço deixava para a sociedade de classes, grupos e homens livres e independentes."

Se assim foi desde a fundação da nacionalidade - "foi o Estado, isto é, o poder político organizado ou em vias de organização, que criou a nação, o que durou séculos", notou também António Barreto - dificilmente poderia deixar de ser hoje. Dificilmente poderia de ter hoje um peso ainda maior do que no passado, e nem devemos começar por falar da economia para o sublinhar. É verdade que, como ainda na sua mensagem de Ano Novo recordou o Presidente da República (que, como ex-primeiro-ministro, é um dos responsáveis pela situação), "Portugal tem já um nível de despesa pública e de impostos que é desproporcionado face ao seu nível de desenvolvimento", mas isso também sucede com outros países. O nosso problema é mais grave e mais fundo.

O nosso problema é que temos cada vez mais governo no Estado - e quando falo de governo, também incluo as autarquias regionais e locais - e cada vez menos sentido de Estado no Estado. A omnipresença da mão que tudo condiciona, ou mesmo tudo controla, agravou-se muito nos últimos anos, sob a batuta dos executivos de Sócrates, mas é um mal que vem detrás.

Vinte anos depois de termos iniciado o processo de privatizações, o número de empresas públicas - e dos gestores que por elas circulam - é muito maior. Dos hospitais EPE às empresas municipais. Trinta e cinco anos depois do 25 de Abril não se concebe que um alto quadro da administração pública não seja de "confiança política", tendo desaparecido por completo o espírito de lealdade independente e competente nos altos lugares da administração. Catorze anos depois de Guterres se ter entusiasmado com a reacção positiva dos mercados à sua vitória eleitoral, os dedos de uma só mão chegam para contar as empresas cotadas no PSI20 cujo destino (e até cuja cotação) não dependa, em maior ou menor grau, das suas relações com o Governo.

Por fim, cinco anos depois de Sócrates ter chegado ao poder graças a um acidente da história, são cada vez mais raros os concursos públicos e cada vez mais comum a negociação directa entre o poder e os empresários para "ajustarem", na ausência de um ambiente competitivo, negócios de todas as dimensões - a arbitrariedade começou com os PIN (Projectos de Potencial Interesse Nacional), que permitiam contornar a lei por decisão discricionária de um ministro, é hoje moeda comum quer se trate da adjudicação do Magalhães, da do Terminal de Alcântara, das concessões das barragens ou das obras de recuperação do parque escolar.

É triste, é trágico, escrevê-lo, mas o nível de discricionariedade - a nível central, a nível regional e a nível local -, associado à correspondente subserviência (e também à corrupção) não tem paralelo na história recente de Portugal, pois até antes do 25 de Abril havia mais respeito por certas regras. Quanto mais não seja porque havia mais pudor - agora qualquer vestígio de pudor é rapidamente sacudido em nome da "legitimidade democrática".

Podemos ter mil conversas tecnocráticas sobre o "programa" para tirar Portugal de crise e nos reaproximar da Europa, que serão inúteis. O nosso problema, como tantas vezes no passado, é de liberdade e de responsabilidade. Em nome da liberdade derrubámos o anterior regime, em nome da liberdade acabámos coma tutela militar sobre o poder político, em nome da liberdade reprivatizámos a economia. Entretanto, esquecemos demasiadas vezes a responsabilidade e agora, em nome da democracia, do "voto do povo", querem limitar-nos a liberdade. É tempo de dizer "basta".

E será que não há aí ninguém capaz de assumir as consequências políticas deste diagnóstico? Talvez não, pois bem sei o que custaria fazê-lo: Portugal é o que é há muitos séculos."

Sábado, Janeiro 02, 2010

É

Vasco Pulido Valente, Público 02/01/2010

2010
"A primeira grande crise económica mundial - que começou em 1929 e foi durando até à II Guerra Mundial - trouxe consigo um terramoto político na Europa, na América e na URSS (a Rússia é outra coisa). Em França, houve uma Frente Popular; em Espanha uma Frente Popular e uma guerra civil; em Inglaterra um governo do Partido Trabalhista pela primeira vez chegou ao poder; na Alemanha caiu a República de Weimar e veio o nazismo; na URSS Estaline liquidou os kulaks e, para grande admiração da "inteligência" ocidental, espremeu da fome e do terror a industrialização forçada; e até na América Roosevelt se atreveu a tomar algumas medidas pretensamente "socialistas", que puseram em transe o "liberalismo" indígena. Pelo mundo inteiro - ou pelo que naquela altura se julgava "o mundo inteiro" - pareceu soprar um vento (irresistível?) de mudança.Era o tempo da "esquerda" ou, mais precisamente, da "esquerda revolucionária", uma sopa turva com que a minha geração ainda cresceu e mesmo, por causa do "25 de Abril", uma ou duas camadas de gente mais nova. Como é óbvio, o colapso do "socialismo real", o descrédito do marxismo enquanto doutrina e teoria e a "normalização" do Estado-Providência acabaram com tudo isso. Agora alguns patetas, que devem ter dificuldade em encontrar a cabeça com as duas mãos, protestam inteligentemente contra os "tremendistas". O dr. Mário Soares (sempre uma alegria) chora dia a dia a "Europa" perdida (ou desencaminhada) e reza aos santinhos da sua desesperada devoção como Lula e Obama. E, segundo consta, uma facção lírica à fado de Coimbra continua ao vento à procura do pensamento.

Mas, de qualquer maneira, um facto é certo: a crise de 2008 não produziu uma ideia. Basta ver Portugal. O Estado apodrece, como sempre historicamente apodreceu, com o défice do orçamento e a dívida externa. O regime político está paralisado e desliza pouco a pouco para o grotesco. O PSD não passa de um grupinho de coscuvilheiras, sem vergonha ou emenda. E o PS serve um optimismo lorpa a uma populaça céptica. Nem um arrepio perturbou a inanidade da nossa vida pública. A reorganização da direita? Qual quê? A reforma da esquerda? Nem pensar. Afinal, a julgar pela placidez da populaça e a resignação da classe média, a crise não existe. Como, de resto, se constatará em 2010. Não é?"

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Em alternativa

Choque de titãs

Domingo, Dezembro 13, 2009

Rádio Televisão Propaganda

É absolutamente obscena a forma como a RTP se presta a servicinhos de «humanização» de gente a contas com a justiça. A entrevista de Judite Sousa a Armando Vara, seguida do comentário do pró-socrático João Marcelino (começa também a ser obsceno o desvio míope do director do Diário de Notícias, sempre para o mesmo lado), é mais um sinal do quão enferma se encontra a televisão pública em Portugal. Para além de financeiramente mal gerida, a RTP anda há décadas à deriva: sem tino ou vocação, o único serviço que se lhe reconhece é o serviço prestado à «situação».

O episódio Dias Loureiro parece não ter sido procedente. Nenhuma das cabecinhas que chefiam ou dirigem a informação na RTP percebeu que há circos que não só fedem como lançam a confusão (provavelmente serão pagos para assobiar para o lado). Entrevistar um arguido daquela forma não é só imprudente: é um exercício absolutamente inconsequente e forçosamente estúpido. Viu-se, aliás, como Armando Vara se escudou no estatuto de arguido ou na figura do segredo de justiça (estatuto e figura invocadas conforme as conveniências) para não responder ao que lhe era incómodo, à medida que ia tecendo, ao seu ritmo e com particular gozo, as vestes de «vitima» de um «sistema» que serve «outros interesses» que não os conducentes à Verdade.

A RTP é, hoje em dia, no que respeita à informação, um lugar pouco recomendável. Ou melhor: bastante recomendável para quem queira observar ou estudar a influência e a omnipresença do poder executivo sobre um meio de comunicação social que tutela. Nada é deixado ao acaso. Nunca se viu tanto enviesamento e manipulação.

Sábado, Dezembro 12, 2009

O meu herói

Façam o favor de

Bom fim-de-semana

Bom fim-de-semana


Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Começar mal

Sentámo-nos. Pedimos a carta. Tratava-se do Sushi Bar de um hotel, em Évora. A carta era tão diversificada quanto o cabelo do Mário Almeida. A opção «um pouco de tudo» revelava-se minimalista. Chama-se o empregado. Conversa do empregado: “Já conhecem o nosso Sushi Bar?”. “Não, é a primeira vez”. “Informo que já houve quem nos comparasse com o Aya, em Lisboa”. Mais sorriso plástico. Mais silêncio confrangedor.

Eh pá, não dá.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

O grau menos que zero da política portuguesa

A expressão «espionagem política» - expressão querida ao Partido Socialista, que o mesmo tratou de repescar do tempo em que, por causa de um processo de pedofilia (de há trezentos anos atrás), também se achou alvo de graves urdiduras, mandando então às malvas qualquer pingo de respeito pelo sistema judicial português -, esta expressão, dizia, foi reciclada e relançada pelo ministro da Economia do governo da República (estranha relação esta, entre a pasta e a matéria das declarações). Alegadamente, segundo o ministro, alguém aproveitou uma investigação sobre um caso «menor» de corrupção (a corrupção em Portugal está de tal forma banalizada e enraizada nos costumes que não passa disso mesmo: de um redondo vocábul0) para «espionar» o primeiro-ministro a coberto dessa mesma investigação, fazendo, a posterior, uso indevido (leia-se «político») das conversas.

Daqui se depreende, de forma simples e sem margem para dúvidas, que um ministro deste país acredita, está convicto e supostamente terá provas (um ministro não falaria de ânimo leve destas matérias) de que o Ministério Público e o juiz de instrução pactuaram num caso de «espionagem política», provavelmente envolvidos com membros de outras forças políticas, contrárias ao governo.

Na prática, chegámos até aqui: um ministro deste país, secundado pelo partido do governo, contribuiu activa e deliberadamente para engrossar a lama em que está envolvido o sistema de justiça português, lançando suspeitas gravíssimas sobre investigadores, magistrados, políticos, etc. E ninguém pareceu importar-se e os que se importaram cairam no caldeirão mesquinho da «disputa política» ou, claro está, da «maledicência).

Não contente com a expressão «espionagem política» (fraquita, de facto, assim isolada, vaga, quase obscura), tratou-se, a semana passada, de ligar um partido e um líder ao PUEC -Processo de Urdidura em Curso: o PSD e a Dra. Manuela Ferreira Leite. Como? Simples: quando a Dra. Manuela Ferreira Leite andou, em plena campanha eleitoral, a dizer que o Sr. Eng. José Sócrates tinha mentido ao país por causa do caso TVI, ela já dispunha, certamente, de cópia, em Dolby Surround, das conversetas do Sr. Eng. Sócrates, ao telefone com amigos. Só assim se compreendem as «certezas» da Dra. Manuela.

Deixemos de parte aquela que será uma das mais descaradas e burlescas confissões de culpa de um primeiro-ministro (“é mentira, é, mas como é que vocês souberam disso, hã?!?!”). Lembremo-nos apenas da notícia de 27 de Junho de 2009, do semanário Expresso:

Governo já conhecia negócio PT/TVI desde o início do ano


O Governo acompanhou todo o processo de venda de parte da Media Capital(dona da TVI) pelos espanhóis da Prisa. Desde Janeiro que a hipótese de a PT entrar na empresa era defendida pelo Executivo de Sócrates, podendo ser feita directamente ou via Espanha, onde a Prisa pode sofrer uma recomposição accionista. Sócrates e Zapatero estiveram sempre a par.


Estará o Expresso envolvido na urdidura? Esperam-se, para breve, declarações nesse sentido do Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares e do líder da bancada do PS. Na defesa de um santo, todos são poucos.

Mistério

Onde estão aqueles que invocaram o «interesse público» como justificação absoluta e nobre para a violação de correspondência privada entre dois jornalistas do Público, sobre matéria «grave», e agora nada dizem sobre o «interesse público» de se conhecerem as razões que levaram dois juízes deste país a extraírem certidões por considerarem haver matéria «criminalmente relevante» nas conversas telefónicas entre o Sr. Armando Vara e o Primeiro-Ministro de Portugal?

Terça-feira, Novembro 24, 2009

"Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia, pá"

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

"Dá muito nas vistas", diz o arquitecto

Mal que pergunte mas... o que é que é isto?!



Na foto: igreja em forma de barco que Troufa Real desenhou para o Alto do Restelo, e cuja construção começou ontem.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Say hello to your mother

É cair, é cair

É lixado

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Sim. Jeremy.

O Sr Maradona (proprietário e CEO do melhor blogue na categoria "unipessoal com média de visitas diárias acima das 1.300") concorda comigo na avaliação do novo Porsche Panamera. Nada de especial (fico por aqui, assumindo a minha qualidade de ignavo quando o que está em jogo é criticar esta extraordinária marca de automóveis). E volta a ter razão, este excelente bloguista e esta inestimável pessoa (uma e a mesma pessoa), quando dá conta do tremendo bocejo que o Hammond e May tendem a provocar sempre que actuam por sua conta e risco (sem a sombra tutelar de Mr Clarkson). Em contrapartida, o novo Porsche 911 Turbo acabou de chegar. Não digo mais nada. Ou melhor, digo apenas isto: caixa de 7 velocidades PDK, PTV (distribuição variável e dinâmica de torque), DFI (injecção directa electromagnética), VTG (turbo de geometria variável), 500 cavalos. Fico por aqui.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

A man who has made the mistake of believing his own publicity

Simon Heffer in The Daily Telegraph 04/11/2009

It's Barack Obama's first anniversary - but there's precious little to celebrate

A year ago, almost to the minute, I was here in New York, watching television reports of the aftermath of the election of Barack Obama as 44th President of the United States of America. I recall the sight of a lachrymose woman from the Midwest, standing outside her run-down house as the sun rose, giving thanks for her deliverance: not from George W Bush, but from the threat of foreclosure. I have no idea whether this poor woman kept the roof over her head; all I know is, if she did, it would have been no thanks to Mr Obama.

On the anniversary of his election, he is busy with unpleasant confrontations with reality. As my colleague Toby Harnden reported so graphically last week, the honeymoon is over. Never in American politics has someone come to power on such a bubble of expectation; never, inevitably, has the pricking of that bubble caused such shock. America may just have come out of recession, but things remain bad. Ten per cent of the workforce is unemployed: here in New York, perhaps the most dynamic and prosperous city on the planet, the figure is even higher.

The rhetoric that bore Mr Obama to office proved equal to electoral success, but not to economic management. Moreover, Mr Obama's most coveted legislative aim, the creation of a sort of national health service, remains elusive. The Wall Street Journal, the newspaper here of serious money, has just savaged the Bill as perhaps the worst inflicted on the American people since the era of Roosevelt. Its projected cost – $1.055 trillion over 10 years – is regarded as madness when America has a level of debt so astronomical that it (just) exceeds, per capita, that of Britain; and few outside a hard core of Obama devotees see it delivering what is needed, where it is needed.

Internationally, the lustre has worn off, too. Mr Obama might have won the Nobel Peace Prize, but the less said about that the better. The award was apparently decided in February, days after he entered the Oval Office. He gave up his missile defence system in eastern Europe: we all imagined the Russians would give something in return, but we are still waiting. More recently, he went to Copenhagen to try to secure the 2016 Olympics for Chicago, and failed. While this did little more than provide amusement to many, it damaged him in America, and outraged his true believers: perhaps the emperor had a small wardrobe after all.
Now he is immersed in a deliberative exercise about whether to send more troops to Afghanistan. As is the lot of politicians, he will be damned if he does and damned if he doesn't. What the dilemma illustrates is that governing is not so easy as it might once have seemed; that you cannot please all of the people all of the time, so there is little point trying; and that the expertise of the Obama campaign in managing image is useless when managing a country. Tony Blair, had they asked, could have told him that.

For all the difficulties of America's imperial burden, it is the domestic, and particularly the economic, front that Mr Obama and his colleagues are finding hardest to defend. America rejoiced when unemployment dropped in July, but the dawn was false. In the next two months it rose again by nearly 700,000. The projected cumulative deficit for the next 10 years is now $9 trillion, having just been revised upwards by $2 trillion. Perhaps it is because these sums are incomprehensible that Americans are no longer shocked by them: but someone will have to pay. There is no sign of the budget going into the black in any of the next 10 years: the projection for 2019 is still that it will be 4 per cent of gross domestic product (it is between 11 and 12 per cent now). The health care plans, were they to be enacted, would make this dire situation even worse. They can be funded only by higher taxes, which is no doubt fair if everyone wants such a system, but far from everyone does. And, as I have written in relation to our benighted economy, the growth that might ease the problem will only be depressed by higher taxes. The stimulus package of $787 billion has paid few dividends ("He didn't even read the Bill, he just signed it," a Republican told me): as at home, serious cuts in spending are not on the agenda. The dollar remains a reserve currency, but has been heading south. For all the supposed brilliance of Timothy Geithner, the Treasury Secretary, and Larry Summers, Mr Obama's chief economic adviser, they are still looking for the paddle.

Mr Obama seems also to have made another bad mistake. Apparently shocked by the virulence of Fox News Channel's attacks on him, he has declared war on the network. We can imagine what would happen if a British head of government were to try to take on an arm of the media, and it has happened here. Many voters feel the President has diminished himself by admitting to being so bothered by Fox, which for its part has turned up the abuse.

So too has Rush Limbaugh, the talk radio presenter, whom Mr Obama and his friends have made the mistake of branding the leader of the Republican Party. That was meant to be an insult to the Republicans: it has transmuted
into a further proof of the administration's weakness, and has elevated Mr Limbaugh to an even higher position of influence. The President appears thin-skinned, immature and inexperienced. Mr Limbaugh now taunts him outrageously to see what reaction he can provoke, such as by saying last weekend (on Fox, of course) that the President's attendance at the repatriation of dead American servicemen was a "photo opportunity" contrived because his popularity was slumping. The gloves are not just off; the knuckledusters are on.

To use another old cliché, Mr Obama looks like a man who has made the mistake of believing his own publicity. His adherents in the media are now so defensive that they have started complaining about the rules – implying that the exercise of free speech by the likes of Mr Limbaugh verges on the traitorous, and is preventing the President from doing his job properly. Any excuse, we must suppose, will do.

For his part, Mr Obama is engaging in acts of deference to the Democratic majority in Congress – as a Chicago machine politician probably has to, for genetic reasons – that are exceeded only by his acts of deference to the unions, who have never had it so good, and who were the reason for his absurd decision to put tariffs on tyres imported from China.

By the time you read this you will know whether the Democrats have lost a series of key elections held yesterday, including the governorships of Virginia and New Jersey. If they do, it will reinforce the point that Mr Obama won last November because he was not the heir of George Bush, and for no other reason. The President starts to risk comparisons not just with Jimmy Carter, but with Lyndon Johnson, felled by a combination of a foreign war and welfare reform, and even, with his list of enemies, Richard Nixon. The problem may be one of immaturity and inexperience. If so, he had better learn fast. For, at this rate, next year's congressional elections start to look more than challenging for him.

Coliseu

Ou muito me engano...

...ou ainda vamos ter saudades deste senhor, nos assuntos parlamentares:

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Não gosto muito do Panamera, mas o anúncio é redentor

My name is

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

A «roubalheira» do PS?

Espera-se a todo o momento que o Sr. Capoulas Santos e o Professor Doutor de Coimbra Meu Deus! Vital Moreira, exijam, em nome da coerência e da vergonha na cara, que o PS se pronuncie sobre «a roubalheira» em que estão envolvidas «figuras gradas» do PS.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

E isto pouco ou nada tem que ver com a liberdade de opinião, somente invocada para disfarçar a ignorância

Richard Zimler ao Ípsilon in Público:

Concluindo, custa-me compreender como é que alguém, ainda que vagamente familiarizado com a filosofia e a literatura ocidentais, pode acreditar que erguer-se em 2009 contra a crueldade contida no Antigo Testamento tem alguma coisa de novo ou de chocante. Ou sequer interessante.

O que é interessante é perguntarmo-nos por que razão exige Deus uma tão absoluta fidelidade aos israelitas e os castiga tão brutalmente por Lhe desobedecerem. Por que são outros povos, como os cananitas, olhados com tanto desprezo. O que diz tudo isto sobre as condições políticas e sociais em Israel em 500 a.C. E o que diz a relação de Deus com Israel sobre a "natureza tribal" das religiões da antiguidade.

Estes, sim, são temas importantes a merecer respostas sérias dos estudiosos.

Mas, naturalmente, nada disto mereceu a atenção de Saramago nem dos que reagiram às suas críticas ao Antigo Testamento. O que me traz ao aspecto mais perturbador e alarmante de toda esta tola controvérsia. Os jornalistas e os responsáveis religiosos portugueses de um modo geral trataram os comentários de Saramago como importantes! Graças a eles, os meios de comunicação deram-lhe mais tempo na televisão e mais espaço nos jornais do que a outras questões muito mais importantes. E alguns representantes da Igreja Católica atacaram-no com uma ferocidade emocional que revela bem que consideram tais opiniões sobre o Antigo Testamento como um obstáculo à fé. Mais uma vez, tal como salientei mais atrás, os comentários de Saramago não são nem chocantes nem novos. E apenas representam um obstáculo à fé para quem não tenha a menor ideia do que é e do que pretendia ser o Antigo Testamento. As críticas de Saramago são unicamente banalidades superficiais, que revelam uma profunda ignorância da filosofia e da religião ocidentais e uma total incompreensão da linguagem poética e narrativa de desde há mais de três mil anos. Só quem ignora tal herança, jornalistas e responsáveis religiosos incluídos, poderia tornar o patético desabafo do romancista numa tal polémica. E, para mim, essa foi a parte mais desanimadora e mais perturbante de toda esta "inventada" notícia: descobrir que na sociedade onde vivemos, entre os seus membros mais ilustres e cultivados, possa prolongar-se tão lastimosa ignorância de uma parte importantíssima do legado civilizacional da filosofia e da cultura ocidentais.

Sábado, Outubro 24, 2009

Um épico absoluto

Vasco Pulido Valente in Público 23/10/2009

Um farsa

O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.

Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com o tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.

O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém? principalmente a dignatários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Check it

Ricardo: isto também é muito bom:



Sleeping States In The Gardens Of The North

Muito bom

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Pela segunda vez, Sr. José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa

Notícia Público:

Pela segunda vez, José Sócrates não obteve junto da Justiça uma decisão favorável ao processo que apresentou contra o colunista do “Diário de Notícias” João Miguel Tavares, avança hoje o próprio jornal. Na origem do caso está o artigo "José Sócrates, o Cristo da política portuguesa", publicado em Março deste ano, que o primeiro-ministro considerou "calunioso e ofensivo".

Na primeira vez que o caso foi levado a tribunal, o Ministério Público decidiu arquivar o processo. Na segunda vez que José Sócrates insistiu na queixa, a resposta foi também o arquivamento. Para o juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa que analisou o caso, o artigo em causa pode ser crítico quanto ao político mas é também uma "manifestação legítima de uma opinião", como cita o DN.

Em causa está o artigo "José Sócrates, o Cristo da política portuguesa", que João Miguel Tavares escreveu depois de uma intervenção de José Sócrates no Congresso do PS, na qual este criticou alguns órgãos de comunicação social. No seu texto, sustentou que Portugal é dirigido por “um homem [José Sócrates] sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático", referindo-se ainda à “licenciatura manhosa” do primeiro-ministro.

Para o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, o texto do colunista do DN além de "calunioso e ofensivo", questionava a sua "integridade moral", recorda o diário.

Apesar dos argumentos apresentados por Sócrates, Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa realçou a questão da “liberdade de expressão”, que prevê a “possibilidade de poder questionar as acções e opções políticas de um político”. Para o juiz de instrução criminal, “é também neste tipo de situações que o direito à honra tem de ceder em prol da liberdade de expressão”. Assim, o tribunal considerou que o artigo em causa é um texto que "se encontra plenamente inserido no exercício da liberdade de expressão".

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Meus queridos: bom fim-de-semana

"Deny everything, Baldrick."


Cá por casa

- Ana, como é que vai o 2666?
- Já vou no livro dois.
- E então?
- Bom. Mas olha que o final do livro um foi tão previsível...
- Mau!
- Não há-de ser nada.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Para o meu amor

Pedro Passos Coelho

- Eu quero ser presidente do partido (hummm… excessiva ambição numa altura destas)… embora não esteja a dizer que pretenda ver a Dra. Manuela Ferreira Leite pelas costas (hummm… falta de assertividade, estou a ser mole)… mas também não é menos verdade que o partido não pode esperar muito mais tempo devido ao timing da nova legislatura (mau, voltei a revelar ansiedade)… mas, atenção, a Dra. Manuela Ferreira Leite deve cumprir o mandato até ao fim e seria bom que o partido não enveredasse por uma mudança a mata-cavalos (lá estou eu com as meias-tintas… e esta expressão do «mata-cavalos» é pirosa) … mas não podemos viver eternamente numa situação de instabilidade (acrescenta lá qualquer coisa, vá, não pensem eles que és um foco de instabilidade) … quero dizer, eu não pretendo ser um foco de instabilidade no partido, o que eu pretendo é que se dê início a um processo de reflexão profunda e de viragem (bolas, Pedro, estás mesmo a matar a velhota)… não que a Dra. Ferreira Leite tenha sido uma má presidente do partido, longe disso (ninguém vai acreditar em ti, pá)… acho apenas que ela não tem condições para continuar (bolas, pá!, tu vai com calma)… mas… vamos com calma (estou mortinho, estou mortinho…ui!).

Ridículo

As reacções ao vídeo de Maitê Proença são um bom retrato do país de virgens ofendidas, sem sentido de humor, em que Portugal se parece ter transformado. Quando um país perde o sentido das proporções, ao ponto de haver uma petição contra a actriz brasileira (valha-nos Deus!), e a capacidade de se rir de si próprio, está mais ou menos tudo dito. O único pecado de Maitê Proença foi ter, de quando em vez, falhado a graça ou a piada, resvalando para a patetice. De resto, não consigo vislumbrar onde possa estar a ofensa ou o crime ou a importância daquilo. Anyway, who cares?

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Localidade onde se realizará o próximo congresso do PSD

DSC03630

Trás-os-Montes VI

Nature calls

call1

Trás-os-Montes V

Rio Angueira

rio_angueira

Trás-os-Montes IV

The amazing Lisa

DSC03625

Trás-os-Montes III

Terra

lindo1

Trás-os-Montes II

Perto do Vimioso.

lindo2

Trás-os-Montes I

O Castelo de Algoso, mandado construir por Mendo Rufino no reinado de D. Sancho I, século XII.

castelo

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Nellie 2

Stephin not Steven

Nellie 1

Don

“The Greeks right again. The light indeed pours from our eyes – its little, dim, narrow human light: we stand before the world like a projectionist behind his dusty cone of shadows, illuminating only what we already know.”

“The worst thing about thinking nothing of yourself is that you assume that your behaviour has no consequences. This makes you much more dangerous than the egomaniac, who at least spends all his time calculating for his own effect.”

“Blessed is the wrongdoer who makes no attempt to justify his actions by anything than pure evil.”

“Only the mad are safe from doubt. I am always bewildered by those who regard a revised opinion as a sign of weakness; it strikes me as a fine guarantee of the commentator’s sanity.”

Don Paterson in The Blind Eye (Faber and Faber Limited, 2007)



À atenção do Miguel Veloso

“Most worrying was his new habit of referring to himself in the sixth person.”

Don Paterson

A petiza

(a minha filha, de 13 anos)

Ela: Ahhh, a Manuela Ferreira Leite prometeu uma coisa.
Eu: E?
Ela: Ela tinha prometido que não iria prometer nada!

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Up, up and away

Pronto, chega

Não me lixem

O Theodore Dalrymple esteve próximo de um orgasmo

Elisa

Observo Elisa Ferreira no debate televisivo moderado pela inefável Fátima Campos Ferreira. Começa a ser óbvio que Elisa Ferreira não vai, nem quer, abandonar a «gamela» europeia. Desconfio mesmo que, pela performance, Elisa Ferreira está empenhadíssima em perder as eleições de forma mais ou menos clamorosa. Vai no bom caminho, a Elisa.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

De sim em sim, até ao não final

Está em curso uma coisa chamada «construção europeia». De quando em vez, uns patetas quaisquer – do povo - resolvem emperrar o curso da «construção», por via de sufrágio directo e secreto. Quando isso acontece, a explicação oficial é a de que houve um «equívoco» ou um «desconhecimento» das putativas virtudes do objecto referendado (uma espécie de paradoxo socrático, segundo o qual nunca ninguém age de forma errada com conhecimento de causa), partindo-se para a fase seguinte: esclarecer os eleitores do erro cometido e conceder ao povo uma nova oportunidade para «emendar a mão». Na Irlanda, por exemplo, o governo (ou o Estado) estava na disposição de repetir o referendo tantas vezes quantas as necessárias, até que o Sim vencesse, após o chumbo de 2008. Aproveitaram, agora, o momentum linear proporcionado pela crise para tentar novamente a vitória do Sim. Porque só o Sim faz sentido. Repare-se que o referendo só é repetido por causa do Não. Não estou particularmente convencido que em 2010 se volte a referendar o Tratado de Lisboa, a fim de aferir se Sim ou se Não. Seja com for, desta vez o Sim ganhou. A «construção» readquiriu movimento. Mas em bom rigor, ninguém sabe muito bem o que é a «construção europeia» embora, como é normal, haja convictas e alargadas ideias vagas. Presumo que a «construção europeia» envolva, lá para 2134, um exército europeu, um governo europeu, um presidente europeu, um instituo de emprego e formação profissional europeu, uma junta de freguesia para cada país, etc. etc. Ou talvez não. Talvez um dia alguns povos digam não a esta «construção europeia» e obriguem os artífices da dita a frequentar um curso intensivo de História (da queda do império romano à Segunda Guerra Mundial), envolvendo, en passant, cadeiras que os obriguem, ou melhor, os façam interessar (sou um optimista, eu) pela Hobbesiana teoria do consentimento (nomeadamente razões e condições).

Ide comprar, ide

True, true

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

When you kill it is justice

Rule My World

You set yourself above that allforgiving God
You claim that you believe in
Your kind is goona fall, your ship is sinking fast
And all your able man are leaving

Only someone who's morally superior
Can possibly and honestly deserve
To rule my world

I talk before I think, you shoot before you know
Who's in your line of fire
So somehow we're the same, we're causing people pain
But I stand and take the blame
You scramble to deny it

Only someone who's morally superior
Can possibly and honestly deserve
To rule my world
Only someone who's morally superior
Can possibly and honestly deserve
To rule my world

Explain me one more time, when they kill it's a crime
When you kill it is justice

Kings of Convenience

Não gostar do chefe

Várias hipóteses se colocam perante esta imagem:



1.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora não suporta a cara de Paulo Portas;

2.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora é uma pessoa poupada e quis poupar o partido a gastos supérfluos, aproveitando o slogan das legislativas para a campanha das autárquicas;

3.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora não gosta do líder do partido;

4.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora é um feroz adepto do copy-paste;

5.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora é um pândego;

6.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora é um pouco cegueta, pois julgava estar a colar os cartazes num cartaz do Bloco de Esquerda, por cima da cara de Miguel Portas;

7.ª Hipótese: o candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Évora é vingativo: pediu 500,00 € ao partido para a campanha e só lhe deram 123,30€.

Seja lá o que for, temos homem.

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Cá por casa

(entrando em casa)

- Olha: o 2666. Já viste, Ana, está aqui.
- Eu sei, amor. Fui eu que o encontrei.
- E estava aonde, afinal?
- No closet.
- Boa.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

O outro projecto do Erlend



Dumpster baby

I love you Jesus

And out

Go f*** yourself

Right on

Brokeback Mountain

Bom senso?

Pedro Adão e Silva, politólogo, acha perfeitamente normal e natural que se suspenda a progressão da carreira de um juiz porque um outro juiz classificou de «erro grosseiro» uma decisão sobre um determinado caso, decisão essa que conduziu à condenação do Estado a indemnizar a vitima dessa mesma decisão (ainda que o Ministério Público tenha recorrido da mesma). Em teoria, talvez, embora, manda o bom senso (invocado pelo Pedro Adão e Silva), deva ser-se cauteloso com as generalizações. A história, esta história, não é assim tão simples e o contexto é vastíssimo.

Em primeiro lugar, todos os anos dezenas de juízes cometem erros nas suas decisões, alguns deles «grosseiros», que levam à condenação do Estado e à admoestação de juri dos tribunais portugueses pelos tribunais europeus. Que se saiba, nunca nada aconteceu à carreira de qualquer juiz. Provavelmente, por bom senso: não será liquido que um juiz, outrora e sempre considerado como muito bom no exercício das suas funções (técnicas), possa ser alvo de uma reavaliação de nota, prejudicando assim a sua carreira, por ter supostamente cometido um único erro. Se um cirurgião competente, com uma folha de serviço impecável, responsável por ter salvo centenas de vidas, cometer um erro que conduza à morte de um doente, é justo e razoável que seja prejudicado por esse trágico acontecimento?

Por outro lado, há um contexto. O juiz Rui Teixeira foi o juiz responsável pela prisão preventiva de Paulo Pedroso, no âmbito do caso Casa Pia, em Maio de 2003. Foi também o juiz que, em 2002, pôs termo ao processo que Manuel Maria Carrilho havia intentado, pelo crime de difamação, contra António Barreto em consequência de um artigo que este escrevera nas páginas do Público, dizendo na altura que “a liberdade de expressão é uma das maiores garantias, um dos nossos maiores tesouros e dos maiores legados que podemos deixar aos nossos filhos" e que "no dia em que os tribunais servirem de mordaça a essa liberdade, no dia em que for calada pelo jus imperii do judicial uma voz livre que seja, em nome da defesa da honra de políticos quando estes são, enquanto políticos, atacados, estaremos todos de luto... aquilo que teremos de Justiça só terá o nome... será um poder judicial, fiel, idólatra, servo do executivo... nesse dia pendurem-se as becas, arrumem-se as penas e as canetas... voltámos àquilo que demoramos quase metade do século XX a deixar". O vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, Ferreira Girão, admitiu há dias que o congelamento da nota de um juiz em função de um processo judicial que se encontra pendente, como aconteceu com Rui Teixeira, é “uma situação inédita”. A ideia desta decisão, partiu de três membros do Conselho nomeados pelo PS. É impossível desligar estes pormenores, com a carga política implícita, do que se está a passar.

Ainda bem que o Pedro Adão e Silva não está sujeito a comissões ou conselhos que avaliem a progressão da sua brilhante carreira de politólogo, independentemente da qualidade do trabalho produzido e da isenção do mesmo. Aposto que será, certamente, por questões de bom senso.

É uma querida e tal…

… mas alguém devia explicar à Joana Amaral Dias que continuar, já a caminho do ano dois mil e dez, a observar o mundo através das velhas lunetas marxistas (o povo explorado e infinitamente miserável, os capitalistas gordos de charuto na boca a esmagar o povo, etc. etc.) não é só errado e estúpido: é patético. Vem isto a propósito do programa Fala com Elas, moderado pelo Pedro Rolo Duarte (RTP-N), onde marca presença a nossa querida Joana. Aqui que ninguém nos ouve (ou, neste caso, lê), a Joana parece estar sempre empenhada em nos convencer, não nos prestemos nós a desatenções de circunstancia, que, no que toca ao índice de impertinência e enjoo, ela está na pole position para levar a taça de incorrigível chata. É rara a opinião que saia daquela cabeça que não venha carregada da canga marxista e feminista, a par de uma visão marcadamente maniqueísta do mundo. Alguém dá um qualquer exemplo que envolva os EUA? A Joana está lá para vomitar de imediato o cego desprezo pelo grande Satã. Alguém menciona o facto (no último programa tratava-se da Eduarda Abbondanza) de ter optado por criar a sua marca e «inventado» o seu trabalho? A Joana está lá para dizer que isso é uma excepção e que as mulheres são, na generalidade, brutalmente exploradas, vivendo sob o jugo da homenzarrada, em casa, e/ou de patrões implacáveis que, gordos e de charuto na boca… Estão a ver a coisa, não estão? Joana: get a grip, will you?

Domingo, Outubro 04, 2009

Cá por casa

- Carlos, tens contigo o 2666?
- Não. Acho que está contigo.
- Não, não está.
- Está aonde, então?
- Não faço a mínima ideia.

O resto é paisagem

Sobre o PSD, pouco ou nada há a dizer. Há apenas duas pessoas que podem restaurar a dignidade ao partido: Rui Rio e Paulo Rangel. Ambos têm as ideias no lugar, são claros nas suas convicções, não são portadores do lastro bafiento e aparelhista do PSD (dos barões, baronetes e caciques), sempre se mantiveram longe das convulsões, tricas e guerrinhas internas do partido (evitando o desporto favorito de certas luminárias) e, por último, souberam sempre manter aquela dose mínima de seriedade intelectual e de lealdade para com o partido que os impediu de colocar à frente de tudo e todos os seus projectos pessoais de poder, o eventual rancor ou o circunstancial ressabiamento. O primeiro leva vantagem sobre o segundo, por via da experiência. Ambos são homens sérios. O resto é paisagem.

Mr Hawley, I presume

Podia, podia

Esta coisa da maioria relativa podia ser uma experiência interessante, não fosse o nosso parlamento um receptáculo de ódios, azedumes, invejas, intrigas e noções transviadas do que é o interesse nacional. Aliás: é bom não esquecer que a regressão «democrática» registada no parlamento nos últimos anos, tem como principais responsáveis José Sócrates e respectivos acólitos, os quais, juntamente com a ala mais populita do PSD (os santanistas são um bom exemplo disso) e essa fábrica de demagogia dirigida por Louçã a que dão o petit nom de Bloco, foram os responsáveis directos pela balcanização do parlamento. O estilo agressivo e pesporrente, a constante tentativa de expor as contradições e as falhas morais dos seus adversários (não houve um só debate em que José Sócrates não chamasse à colação o passado político dos seus adversários, tentando dessa forma anular qualquer razão de ordem material pela exposição da suposta falha moral, consubstanciada pela fatal incoerência ou o fantasmagórico crime passado), a incapacidade objectiva de aceitar ou encaixar reparos ou críticas (por muito justas ou razoáveis que fossem), o desprezo intelectual conducente à chacota mais primária - foram factores concretos que afectaram a imagem do parlamento (que já não era famosa) e a sua função. Avizinham-se dias de tempestade (o que até pode ser bom...).

Sábado, Outubro 03, 2009

Cá por casa

- Carlos, outra vez com o 2666!?! Não tinhas começado a ler o Benito Cereno?
- Sim, comecei, mas é livro para arrumar logo à noite.
- E eu, como é que é?!
- Segundo o teu marcador, vais na página 231.
- Já?
Powered by Blogger Licença Creative Commons
Esta obra está licenciado sob uma Licença Creative Commons.